14 Maio 2026 | Mônica Herculano
Celluloid Junkie recebe indicações para lista Top Women in Global Cinema
Em entrevista, J. Sperling Reich avalia o crescimento da participação feminina no setor de exibição nos últimos 10 anos
A Celluloid Junkie, um dos principais veículos informativos sobre negócios de cinema do mundo, abriu período de indicações para sua lista anual de mulheres mais influentes do mercado de exibição, que chega à sua 10ª edição em 2026.
As candidatas devem ter trabalhado no setor de exibição cinematográfica por, no mínimo, dois anos, e ocupar um cargo gerencial, demonstrando contribuições, conquistas, reconhecimentos ou iniciativas adicionais ao setor. Importante também comprovar que fizeram uma diferença positiva em seus negócios além do trabalho diário.
“Em última análise, nosso objetivo é garantir que os candidatos sejam incluídos porque são genuinamente impressionantes - e não simplesmente porque são bons no que fazem, o que presumimos ser um pré-requisito”, diz o informe sobre a convocatória.
O prazo final para indicações é dia 12 de junho. Clique aqui para saber mais sobre os critérios de seleção e meios de contato com a organização.
Em entrevista ao Portal Exibidor, o cofundador da Celluloid Junkie, J. Sperling Reich, falou sobre a criação da lista, o que mudou na participação feminina no mercado de exibição nos últimos dez anos e reconhecimento das profissionais latino-americanas.
Confira na íntegra:
O que motivou a criação da lista Top Women in Global Cinema há dez anos, e que lacuna no setor de exibição vocês sentiam que precisava de mais visibilidade naquele momento?
Há dez anos, Patrick von Sychwoski, meu cofundador no Celluloid Junkie e ex-editor da publicação, escreveu um artigo questionando por que havia tão poucas mulheres CEOs no setor de exibição cinematográfica. O cinema é um negócio fortemente impulsionado pelas mulheres, tanto porque elas representam a maioria do público das salas quanto porque costumam ser as principais responsáveis pela decisão sobre quais filmes casais e famílias vão assistir - no mínimo. Ainda assim, quando observávamos eventos como CineEurope, CinemaCon e CineAsia, os palcos, salas de reunião e cargos executivos eram ocupados majoritariamente por homens, enquanto as mulheres apareciam principalmente nas áreas de marketing, recursos humanos e funções operacionais. Em parte, queríamos justamente evidenciar essa realidade.
Olhando para esses anos, quais mudanças mais chamaram atenção em relação à presença e ao papel das mulheres no setor global de exibição? Vocês perceberam um crescimento da liderança feminina dentro das exibidoras e empresas ligadas à experiência cinematográfica?
Sem dúvida percebemos um aumento no número de mulheres ocupando cargos de liderança sênior em todas as áreas da indústria - seja Chen Zhixi à frente da Wanda na China, Elizabeth Frank como CEO da RealD, Jane Hastings como CEO da EVT, Antonela Salvador na Lumma ou Vilma Benitez, CEO da Bardan Cinema. Também vemos muitas mulheres avançando significativamente em posições executivas, como Shona Gold na Vue, Wanda Gierhart Fearing, Chief Marketing and Content Officer da Cinemark, e Nikkole Denson-Randolph, Senior Vice President & Chief Content Officer da AMC, para citar apenas algumas.
Historicamente, a América Latina tende a receber menos visibilidade nos grandes reconhecimentos internacionais da indústria cinematográfica. Como vocês avaliam a participação de profissionais latino-americanos nesta lista ao longo dos anos?
Concordamos plenamente. Fazemos um esforço consciente para incluir candidatas de todas as partes do mundo. Ainda assim, encontrar nomes em determinados territórios - especialmente na América Latina e na Ásia - sempre foi difícil. Em alguns países, entramos em contato com exibidores pedindo indicações de mulheres de suas empresas para avaliação do comitê de seleção, apenas para ouvir que eles não tinham candidatas.
A boa notícia é que, em alguns casos, apenas fazer essa pergunta já ajudou a chamar atenção para essa questão dentro das empresas, e algumas delas avançaram bastante para enfrentar esse problema. Isso aconteceu especialmente no Oriente Médio e na África. Conforme a reputação da lista cresceu ao longo dos anos, felizmente alguns operadores de cinema da América Latina passaram a nos procurar antecipadamente para garantir a indicação de profissionais de suas equipes.
Quantas mulheres podem integrar a lista, e o que faz com que uma trajetória profissional se destaque o suficiente para ser reconhecida por ela?
Tecnicamente, a ideia é que a lista tenha 50 indicadas. No entanto, ao longo dos anos tivemos tantas candidatas de destaque que encontramos maneiras de incluir mais de uma pessoa por posição no ranking. Isso acontece especialmente quando várias candidatas de uma mesma empresa ocupam níveis gerenciais equivalentes. Na prática, o número de homenageadas costuma ficar em torno de 75 por edição.
Tentamos acabar com o ranking numérico durante alguns anos, mas as próprias profissionais incluídas na lista continuavam dizendo que gostavam bastante desse formato. Se existe algo positivo no ranking numerado é justamente a possibilidade de incluir mais de uma indicada na mesma colocação.
Quanto à trajetória profissional, para evitar repetições entre os anos, pedimos que as candidatas tenham experiência relevante. Elas precisam ter atuado na indústria de exibição cinematográfica por pelo menos dois anos, ao menos em um cargo de gestão. Mais importante ainda, devem demonstrar contribuições adicionais para a indústria, conquistas, reconhecimentos ou iniciativas relevantes.
Talvez tenham sido promovidas, recebido outros prêmios do setor ou, como no caso de Amanda Martin, Chief of Staff da Cinema United, realizado algo importante nos últimos anos. Ela ajudou a desenvolver a campanha de marketing “Behind the Screens”, da Cinema United.
A lista deste ano será publicada pouco antes da CineEurope. Como esse ranking costuma ser utilizado ou incorporado pela indústria cinematográfica global?
A proximidade com a CineEurope é uma coincidência, embora sempre tentemos publicar a lista na primeira metade do ano. O que percebemos é que as profissionais indicadas costumam mencionar sua inclusão em perfis do LinkedIn e outras redes sociais. Além disso, essa conquista frequentemente é citada quando elas são apresentadas em eventos, painéis e conferências da indústria.
Em alguns países, vimos até matérias na imprensa tradicional sobre a inclusão de executivas locais na lista. Talvez o melhor exemplo seja que, durante alguns anos, tentamos deixar de publicar uma lista baseada em gênero, mas antigas homenageadas praticamente imploraram para que continuássemos, explicando o quanto isso havia sido importante para suas carreiras.
Em mais de uma ocasião, ouvimos que a inclusão na lista ajudou algumas delas a conquistar promoções ou até mesmo evitou que fossem demitidas. Isso nos surpreendeu bastante, mas foi muito bom saber que podíamos fazer diferença.
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