Exibidor

Publicidade

Notícias /mercado / Parceria inédita

14 Maio 2026 | Yuri Cavichioli

Paramount e Warner Music fecham acordo para filmes inspirados em artistas

Parceria prevê desenvolvimento de produções baseadas no catálogo musical da gravadora

Compartilhe:

(Foto: Divulgação)

A disputa por propriedades intelectuais conhecidas segue influenciando decisões estratégicas dos grandes estúdios, e a música voltou a ganhar tração nesse movimento. Em vez de apostar apenas em histórias originais, companhias têm recorrido a marcas culturais com reconhecimento prévio e público consolidado, uma lógica que reduz incertezas comerciais e amplia possibilidades de monetização.



O interesse por narrativas ligadas à música não surge por acaso. Para os estúdios, produções desse perfil combinam reconhecimento de marca, audiência já estabelecida e fontes de receita que extrapolam a bilheteria, como licenciamento musical e reativação de catálogo em plataformas de áudio. O movimento ganha força em um momento em que Michael, distribuído por aqui pela Universal e produzido pela Lionsgate, registra forte desempenho comercial. O resultado recoloca em evidência a atratividade de histórias ancoradas em artistas com apelo global, como já ocorreu com Bohemian Rhapsody (2018) e Elvis (2022).

Segundo a Variety, a Paramount firmou um acordo plurianual de first-look — modelo contratual que garante prioridade na avaliação e potencial desenvolvimento de projetos antes que sejam oferecidos a outros compradores — com a Warner Music Group para produzir filmes inspirados em artistas e compositores de seu catálogo. A parceria envolve colaboração direta com os próprios artistas ou, quando necessário, com seus espólios, responsáveis legais pela gestão de legado e direitos após a morte.

O desenvolvimento será conduzido em colaboração com a Unigram, produtora liderada por Amanda Ghost e Gregor Cameron. Embora nenhum título tenha sido oficialmente anunciado, o catálogo da Warner Music Group reúne nomes como David Bowie, Cher, Phil Collins, Eagles, Fleetwood Mac, Aretha Franklin, Led Zeppelin, Madonna, Joni Mitchell e Frank Sinatra, além de artistas contemporâneos como Dua Lipa, Bruno Mars, Cardi B, Charli xcx e Coldplay.

Nos últimos anos, produções como Back to Black (2024), Um Completo Desconhecido (2024), One Love (2024) e Springsteen: Salve-me do Desconhecido (2025) sinalizam a permanência de artistas musicais no pipeline dos estúdios, ainda que com desempenhos distintos entre crítica e público.

Música como ativo audiovisual

O acordo prevê tanto filmes de ficção quanto animações, indicando que a colaboração não estará restrita a cinebiografias tradicionais. “Estamos animados para fazer parceria com a Warner Music Group e seus artistas extraordinários para criar experiências cinematográficas impactantes inspiradas em músicas e talentos que definiram gerações”, disseram Josh Greenstein e Dana Goldberg, co-presidentes da Paramount, em comunicado. Amanda Ghost, executiva da Unigram, acrescentou: “Esta colaboração sem precedentes oferece aos artistas e compositores da Warner Music uma oportunidade extraordinária de levar suas histórias, sons e repertórios para filmes de ficção e animações. Essa aliança encontra novas formas de fortalecer artistas icônicos e levar seus universos criativos às telas, com a música como personagem central.”

A Warner Music Group já mantém um acordo criativo com a Netflix, voltado a documentários, indicando que a companhia vem explorando diferentes frentes audiovisuais para seu catálogo. Entre os exemplos recentes, a cantora Madonna chegou a desenvolver o projeto de um longa sobre sua própria trajetória com a Universal, que acabou interrompido antes de avançar.

Compartilhe:

  • 0 medalha