Futuro do audiovisual: conteúdo deverá percorrer mais caminhos e janelas, mas conexão emocional segue sendo essencial
Audiovisual deverá percorrer cauda longa com acordos para exibições em diferentes janelas
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(Foto: FilmArt)
Nesta quinta-feira (28), executivos de grandes players do audiovisual se reuniram no palco Story Village do Rio2C para imaginar o futuro do audiovisual e como o mercado se apresentará em 2030 no Brasil. Sob mediação da jornalista Cristina Padiglione, Patrícia Muratori, diretora-geral do YouTube na América Latina, Julia Rueff, diretora-executiva do Globoplay, Elisabetta Zenatti, vice-presidente de conteúdo da Netflix Brasil, e Renata Brandão, CEO da Conspiração Filmes, apontaram mudanças em modelos e janelas de exibição, mas concordaram que algo permanecerá inalterado: conteúdos que se conectarem emocionalmente com o público irão continuar se sobressaindo.
Zenatti afirmou que o audiovisual brasileiro está em um caminho ascendente, se tornando mais maduro e potente perante os olhares do mundo. Prova disso é que, nos últimos cinco anos, 60 produções originais brasileiras chegaram a figurar no top 10 mundial da Netflix. Nesse futuro bastante próximo, a aposta da executiva é que será mais fácil produtores conseguirem financiamento para seus projetos devido a um caminho mais longo de exibição, não ficando restrito a uma única janela ou plataforma.
"O conteúdo vai percorrer caminhos maiores e hoje já vemos uma grande flexibilidade no licenciamento de conteúdos, que nasce e percorre vários caminhos. Na Netflix, por exemplo, temos muitos modelos de licenciamento e podemos fazer um acordo para um filme ser exibido no cinema, depois em outro player, depois na TV aberta e depois na Netflix, ou também podemos fazer um modelo de exclusividade", projetou.
Novos formatos também poderão surgir e captar a atenção do público, algo que já acontece hoje com o "boom" de conteúdos verticais. Rueff destacou a liberdade que a Globoplay permite para criar e testar formatos dentro do ecossistema Globo, algo que não é possível na TV aberta. O resultado desses experimentos é o lançamento de uma novela vertical por semana na plataforma. "Fazemos vários experimentos para encontrar boas performances. Cada conteúdo tem sua missão e também temos experimentado na distribuição e vamos aprendendo a entender o mecanismo que vai fazer sentido no futuro para trazer mais sustentabilidade para o negócio e ter um conteúdo mais relevante. Acredito que o conteúdo de massa vai continuar existindo, mas vai mudar o formato e haverá espaço para outros, desde que se conectem emocionalmente com o público e tenham qualidade."
Patrícia Muratori destacou que o surgimento do formato vertical se mostrou uma possibilidade de as plataformas fazerem parte do dia a dia do público com conteúdos mais curtos, mas que ele também pode ser explorado por outros gêneros. "Temos a oportunidade de experimentar e estar cada vez mais presentes na rotina do usuário ao longo do dia. Documentário, por exemplo, também pode ser consumido verticalmente e fazemos uma aposta de cruzamento de público”, pontuou, afirmando que o público mais jovem geralmente é mais engajado em conteúdo vertical no YouTube mas, seja longo ou curto, isso é apenas formato. “O que realmente importa é o intelectual do criador.”
Elisabetta Zenatti, da Netflix, lembrou também que a evolução é constante e que, pouco tempo atrás, o mercado era dominado pela TV linear. Ela concordou que, independente da janela ou do formato, são conteúdos de qualidade que continuarão se destacando dentro do audiovisual na próxima década. Ainda assim, segundo ela, o foco da Netflix continua sendo no conteúdo longo e, principalmente, de alta qualidade. “Temos uma ambição altíssima por conteúdos que possam mover a sociedade. Queremos séries, filmes, documentários e realities que possam mover pessoas, gerar debate e conversas, e não vemos outros tipos de formatos conseguindo capturar a atenção do público para maratonar uma série por oito horas. Aprendemos que quando conseguimos criar conexão emocional e entregamos paixão, qualidade, ambição, coragem e riscos, isso vai atingir não só o grande público no Brasil, mas no mundo. Isso vale para hoje ou para 2030, então para fazer sucesso é a conexão emocional que faz a diferença", defendeu.
O mesmo vale para o cinema. Renata Brandão apontou que o caminho sempre será buscar por parceiros criativos, que consigam manter a originalidade dos conteúdos. "Produzimos para cinema, streaming, TV e sempre queremos ter alcance e, principalmente, que as pessoas vão aos cinemas. Queremos cinemas lotados e no meu coração o cinema traz a experiência de assistir junto, o que tem que se manter. Temos que buscar audiências, mas sem deixar de alimentar nichos e gêneros. Como produtora queremos alcance, mas não é só isso que nos move”, defendeu.
A CEO da Conspiração também chamou a atenção para a necessidade de políticas públicas para se chegar na próxima década em um ambiente audiovisual saudável, e finalizou voltando a defender as janelas de cinema em consonância com as demais. "Estamos em um caminho bonito com a indústria consolidada e forte, mas precisamos de políticas públicas para nossos conteúdos viajarem e transcenderem. Vejo o futuro com otimismo e acredito no cinema e no momento de todos sentarem em uma sala escura para depois os filmes irem a outros lugares e percorrerem audiências diferentes. A nova geração precisa conversar enquanto está vendo alguma coisa e precisamos criar ambientes para isso e levar ao cinema, mostrando que além do streaming há essa experiência."