17 Julho 2026 | Yuri Cavichioli
Netflix aumenta receita e audiência, mas previsão para o próximo trimestre decepciona Wall Street
Consumo da plataforma passou de 97 bilhões de horas no semestre; produções em outros idiomas responderam por mais de ⅓
O segundo trimestre de 2026 trouxe crescimento de receita, lucro e audiência para a Netflix, mas os números, aparentemente, não foram suficientes para atender às expectativas de Wall Street. A projeção para os próximos meses ficou abaixo do previsto pelos analistas e levou as ações da companhia a caírem cerca de 9% nas negociações após o fechamento do mercado.
Entre abril e junho, a plataforma registrou receita de US$ 12,56 bilhões, alta de 13,4% na comparação anual, enquanto o lucro líquido avançou 11%, para US$ 3,4 bilhões. A receita ficou pouco abaixo do consenso de US$ 12,58 bilhões, e a previsão de US$ 12,8 bilhões para o terceiro trimestre também não alcançou os US$ 13 bilhões esperados pelo mercado.
A empresa atribuiu o resultado ao crescimento da base de assinantes, aos reajustes de preços e ao aumento da receita publicitária. A América Latina teve a maior alta percentual entre as regiões, com avanço de 21%, seguida pela Ásia-Pacífico, com 16%; Europa, Oriente Médio e África, com 14%; e Estados Unidos e Canadá, com 10%.
O balanço veio acompanhado do relatório semestral de audiência da plataforma. Entre janeiro e junho, os assinantes assistiram a mais de 97 bilhões de horas de conteúdo, 2% acima do registrado no mesmo período de 2025. Produções em idiomas diferentes do inglês responderam por mais de um terço desse consumo.
Entre os filmes, Máquina de Guerra liderou o ranking global do semestre, com 147 milhões de visualizações. Na metodologia da Netflix, cada visualização corresponde ao total de horas assistidas nos primeiros 91 dias de disponibilidade dividido pela duração da obra. Dinheiro Suspeito apareceu em seguida, com 136 milhões, à frente de Como Mágica, com 131 milhões; Guerreiras K-Pop, com 130 milhões; e O Jogo do Predador, com 129 milhões.
Nas séries, His & Hers ocupou a primeira posição, com 104 milhões de visualizações, seguida pela quarta temporada de Bridgerton, com 100 milhões. Eu Vou te Encontrar somou 64 milhões, enquanto a quinta temporada de Stranger Things chegou a 56 milhões e Run Away, a 50 milhões.
Mesmo com o recorde de horas assistidas, a companhia segue pressionada a responder às dúvidas sobre engajamento, especialmente diante da concorrência de plataformas como YouTube e TikTok e da queda de público observada entre as primeiras e segundas temporadas de algumas séries. Na carta aos acionistas, a Netflix reconheceu que o tempo de consumo não deve ser analisado isoladamente. “À medida que desenvolvemos uma compreensão cada vez mais sofisticada de como os consumidores atribuem valor ao nosso serviço, sabemos que nem todas as horas são iguais. O tempo gasto é apenas um aspecto de um engajamento forte. Qualidade e variedade também importam. A chave é melhorar em todas essas dimensões: qualidade, variedade e quantidade.”
Além dos números
As dúvidas sobre o crescimento da plataforma também mantêm vivas as especulações sobre possíveis aquisições, especialmente após a tentativa frustrada de comprar a Warner Bros. Discovery. A Netflix abandonou a disputa, vencida pela Paramount, e recebeu US$ 2,8 bilhões em multa rescisória. Desde então, executivos têm sido frequentemente questionados sobre novas operações de M&A (fusões e aquisições) e parcerias estratégicas.
Ted Sarandos voltou a dizer que uma aquisição de grande porte precisaria cumprir critérios elevados, embora a companhia continue avaliando produção própria, licenciamento e parcerias. “Somos, antes de tudo, construtores, não compradores. Isso continua sendo verdade hoje. Outros vão especular sobre nossas intenções porque têm suas próprias razões para isso. Mas nosso histórico é claro: temos um padrão muito elevado para qualquer grande fusão ou aquisição”, afirmou o co-CEO.
Um dos formatos estudados é o acordo com a emissora francesa TF1, cuja programação passou a ser oferecida dentro da Netflix na França. O Co-CEO Greg Peters disse que os primeiros resultados são promissores, mas ponderou que a integração começou recentemente e ainda precisa ser avaliada antes de servir de modelo para outros mercados. “Há muito que aprendermos durante esse processo, mas estamos satisfeitos com o desempenho que estamos vendo. As primeiras respostas sobre como os membros estão reagindo e interagindo são muito promissoras. Não temos nada novo para anunciar hoje, mas se encontrarmos outros acordos que atendam aos nossos membros, funcionem para o parceiro e para nós, certamente vamos considerá-los”, disse Peters.
Já um serviço FAST, sigla para Free Ad-Supported Television, modelo gratuito financiado por publicidade e geralmente organizado em canais de programação contínua, não está nos planos imediatos. Peters admitiu que a alternativa pode funcionar em alguns países, mas alertou para o risco de prejudicar os planos pagos e para a necessidade de uma operação publicitária já consolidada.
A Netflix também prevê investir cerca de US$ 20 bilhões em conteúdo em 2026, aproximadamente 10% a mais do que no ano anterior. As transmissões ao vivo devem representar perto de 5% desse total, enquanto ferramentas de inteligência artificial generativa já foram usadas em aproximadamente 300 produções, principalmente na pós-produção.
Sarandos acrescentou que a tecnologia tem sido aplicada em cenas complexas, como multidões e batalhas históricas, permitindo realizar sequências que poderiam ser descartadas por limitações orçamentárias. A economia deve ser direcionada a novos conteúdos, enquanto a plataforma também investe em esportes e programas ao vivo, vídeos verticais, podcasts e acordos com editoras e criadores.
*Com informações do Deadline
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