20 Julho 2026 | Yuri Cavichioli
Brasil lidera seleção latino-americana nas competições do Festival de Locarno
Produções brasileiras disputam o principal prêmio do festival e integram mostra dedicada a novos cineastas
O Brasil terá duas produções nas competições oficiais da 79ª edição do Festival de Locarno, um dos festivais mais tradicionais do circuito internacional. Os filmes disputam o principal prêmio do evento e também integram a mostra voltada a novos diretores.
A estreia de Matheus Farias e Enock Carvalho, com A Margem do Rio, foi selecionada para o Concorso Internazionale, principal competição do festival, que concede o Pardo d'Oro, prêmio máximo de Locarno. Hanabi, de Ana Vaz, integra o Concorso Cineasti del Presente, seção dedicada a novos diretores. Ao todo, a América Latina soma seis longas em competição, sendo quatro deles óperas-primas, ou seja, os primeiros longas de seus diretores.
Produzido pela Gatopardo Filmes e Moçambique Audiovisual, em coprodução com a também brasileira Vitrine Filmes e a alemã Tama Filmproduktion, A Margem do Rio acompanha Izaquiel, funcionário da limpeza em Recife (PE) que passa as noites pelos manguezais em busca de encontros secretos. Sua vida muda ao conhecer Jeremias, um pescador que o conduz por um percurso onde desejo, medo e violência se cruzam.
Para o cineasta Matheus Farias, codiretor e corroteirista do longa, a seleção representa mais do que uma oportunidade de exibição. "Além do reconhecimento artístico de estrear na competição principal de um dos festivais mais relevantes do circuito autoral, Locarno é um mercado estratégico para consolidar negociações com agentes de vendas, distribuidores e potenciais parceiros por meio do Locarno Pro”, disse ele a PORTAL EXIBIDOR. “A estreia nesse ambiente aumenta significativamente a visibilidade do filme e pode abrir caminho para uma circulação consistente em outros festivais e para sua distribuição em diferentes territórios."
O Concorso Internazionale também reúne Princesa Burro, dos chilenos Cristóbal León e Joaquín Cociña, produzido pelas chilenas León & Cociña Films e Globo Rojo, em coprodução com empresas da França, Holanda, Uruguai e Alemanha. Também integra a disputa Lejos de los árboles, da espanhola Meritxell Colell Aparicio, coprodução com o Peru que acompanha a jornada de uma artista sonora mexicana entre a Amazônia e os Andes peruanos para criar um mapa sonoro de idiomas ameaçados de extinção.
No Concorso Cineasti del Presente, dedicado a novos diretores, o Brasil divide espaço com produções da Colômbia e da Argentina. Além de Hanabi, produzido pela Tambores y a norte em coprodução com a francesa Les Volcans, a seleção inclui Todos mis viajes son de regreso, estreia de Manuel Ponce de León, produzido por Los Niños Films e Mito Films; Los días libres, primeiro longa de Lucila Mariani, realizado pela Maravilla Cine em coprodução com Brasil, México e França; e o documentário La ilusión de un verano sin fin, de Alessandra Sanguinetti, produzido pela Everlasting Summer em parceria com MUBI e Impact Partners.
A seção Locarno Kids Screenings, dedicada a estreias de filmes infantis, receberá Los nuevos, de Rodrigo Plá, realizado pela mexicana Buenaventura Cine em coprodução com a espanhola Mr Miyagi Films, e Mu-ki-ra, de Estefanía Piñeres Duque, produzido entre a colombiana Letrario e a espanhola Abano Producións. O Pardi di Domani – Concorso Internazionale, competição dedicada aos curtas-metragens, selecionou No Tengo Boca, Aun Así Debo Gritar, codirigido pelos venezuelanos Diego Andrés Murillo e Eduardo Andrés Díaz, em uma produção entre Venezuela e Estados Unidos.
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