Paramount concorda em não concluir fusão com Warner até julgamento antitruste
Negócio avaliado em US$ 110 bilhões está suspenso até o julgamento ou 1º de junho de 2027
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(Foto: Reprodução)
A Paramount chegou a um acordo com procuradores-gerais estaduais na tarde desta sexta-feira (24/7) para adiar sua fusão com a Warner até depois de um julgamento antitruste. Na última semana, uma coalizão de 12 Estados protocolou uma ação antitruste contra o negócio e, nesta segunda-feira (20), foi emitida uma liminar impedindo a conclusão da fusão por 28 dias, enquanto se aguarda o resultado de um pedido de tutela antecipada. Diante do impasse, a empresa concordou em não concluir a compra até cinco dias após o julgamento ou até 1º de junho de 2027, o que ocorrer primeiro.
O negócio é tido como um dos maiores da indústria do entretenimento e gira em torno de US$ 110 bilhões. O acordo firmado pela Paramount dentro do processo não especifica uma data para que o julgamento aconteça, mas essa movimentação provavelmente suspende a fusão por pelo menos alguns meses.
A alegação dos Estados que entraram com a ação é que o acordo reduzirá a concorrência nos mercados de TV a cabo e de exibição em cinemas e, por isso, deve ser bloqueado. "Suspender essa fusão enquanto nosso processo prossegue é uma vitória crucial em nossos esforços para defender a lei e proteger as indústrias cinematográfica e televisiva", disse a procuradora-geral de Nova Iorque, Letitia James, em um comunicado. "Espero dar continuidade ao nosso processo para impedir essa fusão ilegal", complementou.
Norm Eisen, cofundador do Democracy Defenders Fund, uma organização sem fins lucrativos voltada para a proteção das instituições democráticas, a defesa do Estado de Direito e a integridade das eleições, e membro da campanha #BlocktheMerger (movimento de protesto contra a fusão), comemorou o acordo como uma vitória da oposição popular ao negócio: "Essa resistência coletiva está mudando o rumo da situação".
A Paramount havia solicitado uma audiência de três dias sobre o pedido de liminar no final de agosto, mas os Estados resistiram à ideia, alegando que precisariam de mais tempo para coletar provas e se preparar para um julgamento completo do mérito. Os Estados deveriam apresentar seu pedido de liminar na noite de quinta-feira (23), mas adiaram a apresentação enquanto as duas partes discutiam os próximos passos.
Após o acordo desta sexta-feira com os procuradores-gerais estaduais, a audiência que estava marcada para o dia 3 de agosto para apreciação dos argumentos sobre o pedido de liminar foi cancelada. Em comunicado para a imprensa, a Paramount classificou a decisão de hoje como uma "vitória significativa".
"Porque o resultado é exatamente o que buscávamos desde o início: um caminho direto para um julgamento baseado em evidências", disse um porta-voz da Paramount. "Esta é a maneira mais rápida e clara de provar que esta transação é boa para a concorrência, boa para os consumidores e boa para os criadores, uma conclusão à qual dezenas de autoridades de defesa da concorrência em todo o mundo já chegaram. As definições de mercado dos demandantes não têm relação com a realidade do mercado atual e não resistem a uma análise rigorosa. Aguardamos ansiosamente a oportunidade de apresentar nossas alegações no julgamento."
Agora, ambas as partes concordaram em apresentar uma estipulação conjunta até 31 de julho sobre suas respectivas posições em relação ao cronograma do julgamento. A Paramount buscava concluir o acordo antes de 30 de setembro, quando começará a incorrer uma "taxa de acompanhamento" de US$ 7 milhões por dia a ser paga aos investidores da Warner.