22 Janeiro 2026 | Yuri Cavichioli
Netflix supera expectativas no último trimestre de 2025 e reforça publicidade como eixo estratégico
Receita acima do previsto, avanço do modelo com anúncios e engajamento recorde reforçam estratégia da empresa para 2026
O balanço do quarto trimestre de 2025 confirmou a capacidade da Netflix de sustentar crescimento mesmo em um cenário de maior cautela do mercado. A empresa superou levemente as estimativas de Wall Street, registrando lucro por ação de US$ 0,56 e receita de US$ 12,05 bilhões, acima da projeção de cerca de US$ 12 bilhões para o período encerrado em 31 de dezembro de 2025. As informações do balanço foram publicadas pelo Deadline.
O desempenho foi impulsionado por um trimestre marcado por lançamentos de grande apelo e eventos ao vivo de alto alcance. A temporada final de Stranger Things e a transmissão do da NFL no Natal levaram a plataforma a atingir um novo recorde de streaming na indústria, reforçando o peso do conteúdo premium e de eventos especiais na estratégia da companhia.
Apesar dos números positivos e da projeção favorável para o primeiro trimestre de 2026, as ações da Netflix recuaram cerca de 4% nas negociações após o fechamento do mercado. Investidores demonstraram desconforto com o processo, estimado entre 12 e 18 meses, para concluir a aquisição da Warner Bros., avaliada em US$ 82,7 bilhões, além da possibilidade de desafios regulatórios e concorrenciais envolvendo a Paramount Skydance.
No segundo semestre de 2025, o engajamento continuou em trajetória ascendente. As horas totais assistidas cresceram 2% em relação ao mesmo período de 2024, movimento puxado principalmente por um aumento de 9% no consumo de produções originais de marca, indicador que a empresa vem priorizando após deixar de divulgar números trimestrais de assinantes.
Em carta aos acionistas, a companhia afirmou ter avançado de forma significativa na construção de seu negócio de publicidade em 2025. Segundo a empresa, a receita com anúncios ultrapassou US$ 1,5 bilhão no ano, montante duas vezes e meia superior ao registrado em 2024.
A publicidade é tratada como um dos pilares centrais do plano de crescimento para os próximos anos. Para 2026, a Netflix projeta expansão de receita total entre 12% e 14%, alcançando aproximadamente US$ 51 bilhões, enquanto a receita publicitária deve dobrar e superar a marca de US$ 3 bilhões.
No cinema, a Netflix também vem reforçando uma estratégia seletiva de exibição em salas. O desempenho de Guerreiras do K-Pop, que combinou lançamentos-evento nos cinemas com recordes de audiência no streaming, e a circulação limitada de Frankenstein, distribuído comercialmente no Brasil pela O2 Play — assim como Guerreiras do K-Pop —, durante a temporada de premiações, indicam que o modelo teatral segue sendo tratado como complemento tático, tanto para projetos de grande escala quanto para títulos voltados a reconhecimento crítico.
Segundo o relatório What We Watched, Guerreiras do K-Pop se tornou o título mais assistido da história da Netflix em um período de seis meses, ao acumular 482 milhões de visualizações no segundo semestre.
No segmento de séries, Wandinha liderou o período com 123,9 milhões de visualizações na segunda temporada, enquanto a última temporada de Stranger Things alcançou o segundo lugar mesmo com uma janela limitada de exibição, indicando que o título deve seguir em destaque nos próximos relatórios.
Mesmo sem divulgar mais números trimestrais de assinantes, a empresa informou que sua base global já ultrapassa 325 milhões de contas. Considerando o número médio de espectadores por residência, a Netflix estima que sua audiência total esteja se aproximando de um bilhão de pessoas em todo o mundo.
Vale lembrar, segundo também o Deadline e Variety, que antes mesmo da oferta pela Warner, a Netflix chegou a discutir internamente a criação de uma estrutura própria de distribuição cinematográfica. Segundo executivos da empresa, a possibilidade de lançar uma operação dedicada ao circuito de salas foi avaliada em diferentes momentos, mas acabou preterida diante da priorização do crescimento acelerado do streaming e da alocação de recursos em outras frentes estratégicas.
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