O ano do cinema nacional: salas escuras receberão novas histórias e o retorno de importantes franquias brasileiras
Portal Exibidor compilou algumas das principais apostas do cinema nacional para 2026
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(Foto: Divulgação)
Existe uma grande expectativa para que esse ano seja um dos mais importantes da história do cinema nacional. Após a venda de ingressos para filmes brasileiros cair 12,2% em relação de 2024 (12,67 milhões) para 2025 (11,12 milhões), as distribuidoras possuem em seus line-ups ótimas opções de produções nacionais com grande possibilidade de levar os fãs de nosso cinema para as salas escuras.
O Portal Exibidor separou alguns títulos nacionais que prometem fazer diferença no market share dos ingressos vendidos em 2026. Apesar disso, vale ressaltar três questões:
- A primeira é que algumas datas de estreia ainda podem mudar;
- A segunda é que, apesar do potencial dos filmes, existe uma cadeia de fatores que vão determinar o seu sucesso comercial;
- E, por fim, lembrar que mais filmes com potencial de bom público podem surgir com o passar das semanas. É importante lembrarmos que, em 2024, Ainda Estou Aqui começou a ganhar mais destaque em setembro, quando venceu como Melhor Roteiro no Festival de Veneza, e em 2025 a hype de O Agente Secreto começou no final de maio, quando o longa saiu multipremiado de Cannes.
O ano começou com algumas apostas: há menos de duas semanas em cartaz, Agentes Muito Especiais (Downtown Filmes) deve alcançar os 100 mil espectadores em breve, enquanto o infantil O Diário de Pilar na Amazônia (Disney) estreou na última cine-semana com quase 50 mil ingressos vendidos.
PRIMEIRO QUADRIMESTRE
O primeiro grande lançamento nacional de 2026, entretanto, deve ser (Des)controle (Elo Studios/Sony). Codistribuido entre duas empresas, a campanha do longa vem sendo trabalhada há bastante tempo, e contém a Carolina Dieckmann no elenco, além de ter um tema que pode ser um chamariz. Sucessos recentes da Sony (“Ainda Estou Aqui” e “Vitória”), e da Elo Studios (“Medida Provisória”) indicam que as distribuidoras entendem o público que consome filmes nacionais.
Com estreia em 5 de fevereiro, a baixa concorrência de títulos pode ajudar bastante a elevar as vendas de (Des)controle.
Quase dois meses depois, em 26 de março, entra em cartaz Velhos Bandidos (Downtown/Paris). Com um elenco estelar, que conta com Ary Fontoura, Bruna Marquezine, Vladmir Brichta, Lázaro Ramos e Fernanda Montenegro em sua potencial última estreia (o que, por si só, é um marco), o longa une comédia com crime, repetindo uma fórmula que costuma agradar o público.
Em relação à concorrência, há duas formas de observar: pode disputar um pouco de espaço com os vencedores do Oscar, que tendem a ganhar destaque após a premiação, em março; mas há pouca disputa com longas de comédia e longas nacionais. Por ser um filme voltado para um público mais popular, é importante fazer uma boa estreia, visto que na semana seguinte Super Mario Galaxy (Universal), um dos principais blockbusters do ano, entra em cartaz.
Aliás, junto com Super Mario, outros dois filmes brasileiros entram em cartaz em 2 de abril. O primeiro é Zico, o Samurai de Quintino (Downtown/Paris), e público tem, visto que é um documentário inédito sobre o maior ídolo da história do Flamengo, clube com 35 milhões de apoiadores no Brasil. A questão é saber se comunicar com eles. De qualquer forma, possui potencial para fazer ótimos números para um documentário.
O Rei da Internet é, até o momento, apontado como o principal lançamento da Vitrine Filmes em 2026 - ao menos no âmbito comercial. A distribuidora, inclusive, vem trabalhando na campanha do filme há alguns bons meses e se tem algo que a indústria brasileira sabe é que a Vitrine entende muito bem o público consumidor de cinema nacional.
A concorrência, entretanto, é o já falado Super Mario Galaxy. Por mais que não seja uma disputa direta, visto que os públicos-alvo são diferentes, é sempre complicado disputar espaço com lançamentos desta magnitude. No mesmo dia, aliás, entra em cartaz Barba Ensopada de Sangue, que vem sendo trabalhado há cerca de um ano pela O2 Play.
SEGUNDO QUADRIMESTRE
No final de maio, mais exatamente no dia 28, dois filmes nacionais com bom potencial de público entram em cartaz. Minha Melhor Amiga (Downtown/Paris) traz a dupla Ingrid Guimarães e Mônica Martelli em uma trama que se conecta bastante com um público que ainda não retomou, em ritmo esperado, o costume de ir aos cinemas: os 40+ e as famílias. Com uma campanha bem trabalhada, o longa tem potencial para fazer um dos melhores públicos de filmes nacionais em 2026.
Voltado para o público infantil e com uma fortíssima conexão com a formação de público, temos no mesmo dia a primeira aparição da Galinha Pintadinha (Imagem Filmes) nas telonas. Tem um potencial enorme público - talvez difícil de impactar -, mas chega aos cinemas com a chancela de ser a maior marca audiovisual brasileira voltado para as crianças.
Desde a primeira aparição, em 2006, a franquia da Galinha Pintadinha soma 50 bilhões de visualizações, 60 milhões de inscritos e a marca movimenta R$ 4 bilhões por ano. Nas redes sociais, são 1 milhão de seguidores no Instagram e 2,5 milhões no TikTok, rede essa que oferece um conteúdo mais “adulto” para quem cresceu acompanhando a Galinha Pintadinha. E não para por aí: a animação é a segunda mais assistida na Netflix, são 1,5 milhão de ouvintes no Spotify nos cinco álbuns lançados e a marca está entre as 100 mais licenciadas do mundo, na frente de Volkswagen e da Sony, com seu conteúdo sendo licenciado em mais de dez idiomas.
Na concorrência, Galinha Pintadinha não deve ter grandes disputas. Mas, na semana seguinte, um longa entra em cartaz e deve colocar um sinal de alerta em Minha Melhor Amiga. No dia 4 de junho, é a vez de Se eu Fosse Você 3 (Disney) entrar em cartaz, uma das principais franquias do cinema nacional.
Enquanto o primeiro filme vendeu 3,6 milhões de ingressos em 2006, o segundo levou 6,1 milhões de espectadores às salas escuras em 2009, sendo até hoje o 9º filme brasileiro com melhor desempenho na história. Se os números vão se repetir vai depender de diferentes fatores, mas é uma aposta certeira para ser o filme brasileiro com melhor desempenho em 2026.
O longa entra em cartaz com a concorrência de Minha Melhor Amiga. E, pensando em sustentação, uma semana depois estreia Todo Mundo em Pânico 6 (Paramount) e Dia D (Universal), de Steven Spielberg, que, apesar de serem de gênero e possuírem públicos-alvo diferentes, são longas nostálgicos que podem disputar parte do público. A concorrência para uma sustentação mais forte vem mesmo após duas semanas da estreia, quando chega Toy Story 5 (Disney). Apesar disso, como ambos são da Disney, possivelmente há uma estratégia montada para retroalimentação de público.
No dia 25 de junho é a vez de Deus Ainda é Brasileiro (Imagem Filmes) entrar em cartaz. O antecessor fez 1,6 milhões de espectadores em 2003 e tem alguns motivos para novamente ter um desempenho que agrade os exibidores. Um deles claramente é o fato de que foi o último longa dirigido por Cacá Diegues, que faleceu em fevereiro do ano passado.
Na concorrência, pode depender de como estará a sustentação de Se Eu Fosse Você 3. Além disso, estreia no meio da temporada de blockbusters, entrando em cartaz junto com Supergirl (Warner), uma semana antes de Minions 3 (Universal) e duas semanas antes do live-action de Moana (Disney). Não são os mesmos públicos, mas concorrer contra o verão estadunidense e seus grandes lançamentos pode ser complicado.
TERCEIRO QUADRIMESTRE
Muito por causa da temporada de blockbusters, os lançamentos nacionais do período entre junho e agosto costumam ser mais pontuais e voltados para públicos que nada ou pouco concorrem com as grandes produções. O retorno de uma forte estreia nacional se dá em 8 de outubro, com Um Tio Quase Perfeito 3 (H2O Films).
Seus antecessores foram bem, apesar de terem sido lançados em período de pandemia, e obtiveram ótimos números também no streaming. Agora, em um melhor momento para estrear nos cinemas, pode ser a chance da franquia fazer números mais completos nas telonas. O longa pode se beneficiar do fim da temporada de blockbusters, quando há uma oferta menor de filmes.
Também da H2O Films, em 3 de dezembro, entra em cartaz Viver é Melhor que Sonhar: A Vida de Belchior. Talvez seja a biopic com melhor potencial de público no cinema nacional em 2026. O lado negativo é que entra em cartaz em meio a muitos blockbusters, como o novo Jogos Vorazes (Paris Filmes), Jumanji 3 (Sony), Vingadores 5 (Disney) e Duna 3 (Warner).
Na última semana cheia do ano, no dia 24 de dezembro, entram em cartaz Minha Irmã e Eu 2 e Os Farofeiros 3, ambos da Downtown/Paris, e no dia 31 é a vez de Bruna Surfistinha 2 (Imagem Filmes). Além da eventual disputa com os blockbusters, o impacto principal nos exibidores só deve ser sentido em 2027.