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07 Maio 2026 | Yuri Cavichioli

Disney, Paramount, Warner e IMAX reportam crescimento no streaming e força do cinema no 1º trimestre

Resultados mostram avanço das plataformas digitais, impacto das fusões e pressão contínua sobre a TV linear

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(Foto: Divulgação)

Os balanços financeiros do primeiro trimestre de 2026 divulgados por Paramount, Warner, Disney e IMAX mantêm o movimento de transformação da indústria do entretenimento, com crescimento nas operações de streaming e resultados impulsionados pelo cinema, enquanto os negócios tradicionais de TV seguem em queda. As informações foram divulgadas por veículos como Deadline, Variety e The Hollywood Reporter.



Os relatórios também chegam em meio a um período de movimentações e consolidação do setor. A provável fusão entre Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery segue avançando, enquanto a Disney apresentou ao mercado a primeira visão estratégica de Josh D’Amaro como CEO da companhia. Já a IMAX reportou crescimento operacional puxado por grandes lançamentos nos cinemas.

Apesar dos números positivos em streaming e estúdios, as empresas continuam enfrentando dificuldades nas operações lineares de televisão. A redução de audiência, a queda publicitária e a migração do público para plataformas digitais seguem pressionando receitas históricas do setor, cenário citado nos relatórios das três companhias.

Paramount

A Paramount fechou o trimestre com receita total de US$ 7,34 bilhões, acima das expectativas de Wall Street. O streaming foi um dos destaques, com crescimento de 11% na área e a adição de 700 mil novos assinantes no Paramount+, que chegou a 79,6 milhões de usuários. A empresa destacou que espera uma aceleração nas receitas e nos lucros do streaming ao longo de 2026.

O acordo com o UFC, que passou a integrar o catálogo do Paramount+ sem cobrança adicional para assinantes, foi apontado como um dos motores do trimestre. Em carta aos acionistas, a companhia afirmou: “Até o momento, mais de 10 milhões de lares assistiram a mais de 100 milhões de horas de programação do UFC em nosso serviço, entregando audiência mais de 15 vezes superior à média dos eventos pay-per-view dos últimos dois anos”. A empresa também destacou que os novos assinantes atraídos pelo UFC são, em média, 15 anos mais jovens do que o público tradicional da plataforma.

Os executivos também destacaram a continuidade de franquias e produções originais na plataforma. O calendário de estreias e eventos esportivos pode ter contribuído para o crescimento do consumo e do engajamento do serviço ao longo do trimestre. Nos cinemas, a companhia também contou com títulos como Bob Esponja: Em Busca da Calça Quadrada, que arrecadou US$ 169,2 milhões mundialmente, e Pânico 7, com US$ 207,5 milhões em bilheteria global, segundo dados do Box Office Mojo.

A operação linear da companhia, no entanto, segue pressionada. A divisão de TV registrou receita de US$ 3,7 bilhões, abaixo das projeções do mercado, refletindo o avanço do cord-cutting e da migração do consumo para o streaming. Ao mesmo tempo, executivos confirmaram que seguem trabalhando para concluir a fusão com a Warner Bros. Discovery até o fim do terceiro trimestre, além de reiterarem a meta de gerar US$ 3 bilhões em sinergias e redução de custos após a integração.

Warner

Do outro lado da futura fusão, a Warner registrou prejuízo de US$ 2,9 bilhões no trimestre, impactada principalmente pela taxa de rescisão de US$ 2,8 bilhões relacionada ao encerramento do acordo anterior envolvendo a Netflix. O valor foi pago pela própria Paramount como parte da negociação atual entre as empresas, numa operação que acabou refletindo contabilmente nos resultados da Warner. O movimento praticamente transformou os balanços das duas companhias em capítulos complementares da mesma negociação. A Warner encerrou o trimestre com dívida bruta de US$ 33,4 bilhões.

Mesmo com esse impacto financeiro extraordinário, as operações de streaming e estúdios da companhia cresceram. A receita do streaming subiu 7%, alcançando cerca de US$ 2,9 bilhões, enquanto a divisão de estúdios avançou 31%, impulsionada pelo desempenho nas salas e pelo licenciamento de conteúdo, em um trimestre marcado pela circulação de produções ligadas a franquias e pela expansão internacional da HBO Max. Entre os títulos em cartaz no período esteve O Morro dos Ventos Uivantes, que arrecadou US$ 241,7 milhões nas bilheterias mundiais, segundo o Box Office Mojo

Durante conversa com investidores, o CEO David Zaslav afirmou que a companhia revisou para cima sua projeção de assinantes da HBO Max e agora espera ultrapassar 150 milhões de usuários até o fim de 2026. “Nosso negócio de streaming continua ganhando escala globalmente, impulsionado pela expansão internacional da HBO Max e pelo desempenho consistente do nosso conteúdo”, afirmou Zaslav durante a apresentação de resultados. 

Já a TV linear voltou a cair, com retração de 9% na receita e queda de 12% na publicidade, agravada pela ausência dos jogos da NBA na programação da empresa.

Disney

A Disney apresentou resultados além das projeções do mercado em seu primeiro balanço sob o comando de Josh D’Amaro. A companhia registrou receita de US$ 25,2 bilhões no trimestre fiscal, alta de 7%, enquanto a divisão de entretenimento alcançou US$ 11,7 bilhões em receita. Streaming, parques, cinema e produtos de consumo apareceram como pilares centrais da estratégia apresentada pela empresa aos investidores.

O streaming teve um dos melhores desempenhos do período. As receitas combinadas de Disney+ e Hulu cresceram 13%, chegando a US$ 5,49 bilhões, enquanto o lucro operacional do segmento saltou 88%, para US$ 582 milhões. A companhia atribuiu o avanço aos reajustes de preços implementados no fim de 2025 e reiterou a meta de manter margens operacionais acima de 10% na área.

Em carta aos acionistas, Josh D’Amaro e o CFO Hugh Johnston afirmaram: “Em um importante momento de mudança para a Disney, seguimos focados na execução de nossa estratégia de crescimento de longo prazo. Nosso momento criativo e operacional impulsionou fortes resultados trimestrais, e continuamos esperando aceleração do crescimento na segunda metade do ano fiscal.” O executivo também reforçou a aposta da companhia em franquias como Toy Story 5, Moana, O Mandaloriano & Grogu e no uso de inteligência artificial em áreas como produção, monetização e operações internas.

A Disney também citou o forte desempenho de Zootopia 2 nas bilheterias e no Disney+, dentro de uma estratégia que conecta franquias ao cinema, às plataformas digitais, aos produtos licenciados e às experiências presenciais. O trimestre ainda foi marcado pela circulação de títulos como Avatar: Fogo e Cinzas e Cara de Um, Focinho de Outro, que também podem ter contribuído para o desempenho das áreas de entretenimento e exibição no período.

IMAX

A IMAX reportou receita de US$ 81,4 milhões no trimestre, queda de 6% na comparação anual, mas fechando o período em nível acima do esperado por analistas. A empresa atribuiu parte do resultado ao desempenho de Devoradores de Estrelas, produção da Amazon MGM estrelada por Ryan Gosling, que ultrapassou US$ 600 milhões nas bilheterias globais.

A companhia manteve a previsão de atingir US$ 1,4 bilhão em bilheteria global em 2026. O trimestre também foi marcado pelo crescimento de 75% na América do Norte e de 60% nos mercados internacionais fora da China. Segundo a empresa, Devoradores de Estrelas e Avatar: Fogo e Cinzas lideraram os resultados do período.

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