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Artigo / Audiovisual

14 Dezembro 2020

Quem será você no cinema pós-vacina?

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A gente sempre tem discutido sobre o mercado, seu passado, seu presente e, lógico, seu futuro. Fazer análise de número e pegar depoimentos de quem atua no mercado faz parte da EXIBIDOR. Da nossa vida, sempre adoramos saber o que os outros acham do mundo e, principalmente, da indústria na qual trabalha. É do ser humano querer prever coisas.

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Mas, e o seu “eu”? Melhor, e o seu “eu profissional”? O que será de nós? O que podemos esperar de nossas carreiras em meio ao fim desta pandemia e o pós dela? Conheço dezenas de profissionais da área de cinema que não têm a mínima ideia de como é a vida fora da indústria do cinema. Eu mesmo sou um caso, nasci nela. Vivo neste “cativeiro tão cativante”. E são estas pessoas que têm noção total do tamanho do mercado os nossos melhores mensageiros e defensores dos motivos de que o cinema não vai acabar.

Sempre tenho defendido o discurso do “cinema não vai acabar”, mas, claro, precisamos avaliar o que será de nós neste novo mercado que irá surgir. Os mais desesperados já pensam em abandonar o barco, os mais centrados esperam com paciência – com apreensão, claro – o retorno dos números de 2019.

No meu último artigo apresentei que territórios organizados com a pandemia já estão em patamares normais de renda e público. Portanto, o normal do passado vai voltar a qualquer momento, mas você como profissional precisa se organizar para este novo normal.

A grande diferença deste retorno que se aproxima a cada dia é que as empresas, todas elas - da produção à exibição e fornecedores - estão todas endividadas com infinitas parcelas de empréstimos nas costas para começar a pagar muito em breve – se é que já estão pagando. Dívidas estas que foram os resgates financeiros para atravessar a pandemia.

Esse nível de endividamento vai mudar e muito a estrutura de todas empresas para honrar com as parcelas de financiamento. Estas companhias terão que realizar cortes econômicos, incluindo cortes de quadro de colaboradores. A prioridade nestes próximos três anos será quitar os empréstimos adquiridos durante a pandemia, acumular capital e garantir seu fluxo de caixa saudável em meio a um crescimento lento de faturamento. Enfim, cortes são necessários para gerar empregos futuros. É a triste realidade.

Posto isso, o profissional que quer continuar na indústria do cinema terá que provar ao seu empregador que é melhor do que se imagina. E isso significa ser polivalente, saber mais de outros departamentos e não ficar centrado apenas ao que compete ao seu departamento de contrato.

E esse novo profissional precisará de no mínimo entender o mercado macroeconômico de cinema. Entender a importância em analisar números do Brasil e do Mundo, entender os desafios do exibidor, os obstáculos do produtor e a paciência do distribuidor.

A EXIBIDOR criou um curso de três módulos justamente para complementar o currículo dos profissionais da indústria do cinema em compreender a importância da integração entre exibidores, distribuidores e exibidores. Expor as dificuldades, desafios e facilidades de cada uma destas área do ponto de vista justamente delas.

Precisamos nos reciclar para avançar. E neste momento de temas como “reinvenção”, “reconstrução” e “novo normal”, se diferenciar para crescer como profissional nestes próximos anos é aumentar as chances de sucesso profissional e pessoal.

Marcelo Lima
Marcelo Lima | marcelo.lima@tonks.com.br

Marcelo J. L. Lima é CEO da Tonks, diretor da Expocine, bem como editor do Portal e Revista Exibidor.

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