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12 Abril 2016 | Natalí Alencar

CinemaCon começa com olhar sobre o mercado chinês, produções locais e mercado europeu

Mercado de exibição e distribuição em outros territórios ganhou espaço no primeiro dia da convenção

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Tomas Jegeus, presidente da Fox International Productions, falou sobre como o interesse pelas produções locais e filmes temáticos tem crescido ao redor do mundo (Foto: CinemaCon 2016)

A CinemaCon 2016 chega à sua sexta edição desta vez com foco em mercados diversos ao redor do globo. Logo no primeiro dia do encontro (11), que segue até 14 de abril, a programação do Dia Internacional contou com um olhar diferenciado sobre regiões de grande destaque para o negócio cinema: o crescimento do mercado chinês, as produções locais em diversos territórios (Índia, Japão) e o destaque para a relevância do mercado europeu estão entre os principais temas.

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O primeiro dia também contou com uma apresentação especial da Paramount Pictures com os destaques para 2016 e algumas surpresas. Esta é a primeira vez que a CinemaCon conta com a participação de nove estúdios: Paramount, STX, Disney, Warner, Fox, Sony, Lionsgate, Universal e Amazon.

Confira alguns destaques do primeiro dia:

Som imersivo GDC

A primeira manhã foi iniciada com uma apresentação da GDC que falou ao mercado um pouco sobre sua capilaridade. A empresa conta com 13 escritórios espalhados ao redor do mundo, 29 centros de serviços locais e mais de 70 centros de serviços de engenharia. Segundo a GDC, nos últimos noves meses, mais de 100 cinemas instalaram o sistema de som imersivo DTS-X e mais de 200 cinemas estão confirmados. Ao todo, 22 filmes já foram lançados para essa tecnologia.

De olho na China e nas janelas

Já a Warner Bros., que contou com a apresentação de Tom Molter, vice-presidente executivo de distribuição internacional da empresa, citou o crescimento do mercado chinês. Segundo estimativas, o país será o número um em bilheteria mundial entre 2017 e 2020. Em 2014, a China teve crescimento de 47% no número de ingressos. Em 2015 esse número foi de 52%.

O estúdio também mostrou como tem dado relevância às produções locais e como estas têm correspondido em bilheteria.

Outro fator discutido foi a relação entre o consumidor final e o potencial das ferramentas digitais. Segundo o executivo, 85% da população têm um smartphone e passam mais de 12 horas por dia conectados em alguma mídia. Assim, Tom reforçou a importância de cativar os consumidores a ir ao cinema e redescobrirem a função social da atividade.

A Cinépolis também comentou o crescimento do mercado chinês, que tem sido o mais agressivo nas bilheterias. O país cresceu 32,2 % em número de telas em 2015, enquanto a América Latina teve apenas 4,7%.

Alejandro Ramirez, diretor da rede de cinema, falou sobre as possibilidades de tornar a atividade cinematográfica mais dinâmica, mesmo após 120 anos de existência. Ele comentou a necessidade de sofisticar cada vez mais as ações de marketing utilizando o potencial digital das ferramentas midiáticas. Ele contou brevemente um case recente com o lançamento de Batman Vs. Superman: A Origem da Justiça, em que um artista foi escolhido para ser o primeiro da América Latina a conhecer os protagonistas do longa na première do longa. “Nos últimos 24 meses nós triplicamos nossa interação nas redes sociais para engajar os consumidores”, afirmou.

Outro recurso citado por Ramirez foi o app da rede que já tem 3 milhões de usuários.

O executivo comentou sobre o investimento da empresa em experiências diferenciadas como o VIP, o 4DX e até salas especiais dedicadas ao público infantil (tematizadas e no estilo de um playground que tem até escorregador e piscina de bolinha). Assim também como é preciso levar o 3D para um novo patamar de audiência.

Mas um dos seus discursos mais enfáticos foi com relação à questão das janelas. Ele foi incisivo ao afirmar que “é preciso proteger o mínimo do período das janelas e parar de ficar testando novos experimentos”. Assim, para ele, exibidores e distribuidores caminham juntos no sentido de proteger o mercado contra a canibalização.

Leia na próxima edição da Revista Exibidor uma matéria especial sobre a questão das janelas no mercado brasileiro.

Mercado Europeu

A UNIC – International Union of Cinemas, que representada 36 territórios, apresentou o crescimento, diversidade e inovação do mercado cinematográfico europeu. Segundo o CEO Jan Runge, os países europeus comandam 24% da arrecadação mundial em bilheteria. Frequentam os cinemas nesta região mais de 1,15 bilhão de pessoas. A bilheteria cresceu 0,6% em arrecadação e em ingressos 1,7%, ambos de 2014 para 2015. São aproximadamente 50 telas para cada 1 milhão de pessoas. A atividade emprega 7 milhões de pessoas e 93% dos complexos na região estão digitalizados.

O mundo das produções internacionais e locais

Tomas Jegeus, presidente da Fox International Productions, apresentou como o interesse pelas produções locais e filmes temáticos tem crescido ao redor do mundo, trazendo novas oportunidades para distribuidores e exibidores. Na China, por exemplo, as produções locais com distribuição da Fox correspondem a 62% da bilheteria. Na Índia, o número é de 84% e, no Japão, 58%. Além disso, o executivo citou ainda a boa performance dos filmes locais fora de seu país de origem como foi o caso, por exemplo, de Intocáveis, em 2012. Os estúdios estão cada vez mais investindo nas produções locais e outro exemplo é The Mermaid, produção chinesa que ficou em primeiro lugar na semana de estreia e rebateu lançamentos de peso.

O executivo apontou também que as Filipinas, o Vietnã e a Indonésia são mercados em crescimento. [Atualizado em 18/04/2016, às 9h05]

A experiência do cinema

David Hancock, diretor de filme e cinema da IHS Technology, apresentou um painel sobre os ingredientes que a experiência cinematográfica deve ter. Para ele é preciso ter um bom conteúdo – filmes, franquias, eventos no cinema, esportes e games –, um bom local – cinema –, tecnologias de ponta – 3D, 4D, PFL – e experiência social para reunir as pessoas.

Para exemplificar, Hancok citou que, em 2010, a maioria dos cinemas utilizava 35mm e, agora, o cenário é o oposto. Em 2015, 98% dos cinemas já eram digitais. Mundialmente há 152 mil telas de cinemas, sendo 66.487 em 2D e 74.562 em 3D. Formatos diferenciados também têm tido seu destaque: 595 salas 4D, 84 ScreenX, 12 Dolby Cinema, 1.950 Premium Large Format – PLF e 800 IMAX. Dados que precisam ser aproveitados pelo mercado.

O executivo apontou que o cinema caminha para um novo patamar com poltronas cada vez mais confortáveis, experiências que agregam exibição e o conceito de jantar no cinema, além de espaços diferenciados dentro do mesmo cinema como salas individuais.

Unir o mundo real ao digital

Anne Marie Stephen, CEO e fundadora da Kwolia, fez uma palestra sobre como os consumidores estão envolvidos com as novidades tecnológicas e como aproveitar essa demanda para unir o mundo real ao digital. Um dado interessante citado foi de que há 25 anos não havia 30% dos shoppings que temos hoje. Como tendência, Anne citou algumas campanhas que fizeram com que os espectadores interagissem com as marcas.

A Kwolia é uma empresa de consultoria estratégica para tecnologias emergentes aplicadas ao varejo. Entre as companhias atendidas estão Panasonic, Disney e Ralph Lauren.

Adaptando ferramentas para obter êxito no mundo digital

Julien Marciel, CEO da Webedia, mostrou como as novas plataformas podem melhorar a performance das empresas e ajudar grandes e pequenos exibidores a atingir o potencial máximo no mundo digital.

As vendas online de ingressos na China, em 2013, respondiam por 22%, em 2016 já correspondem a 72% e, em 2020, a previsão é que chegue a 80%. A expectativa é também de que em 2020 25% da economia global corresponderá a plataformas digitais. Ou seja, o modelo tradicional de negócios que era linear e feito em etapas agora é cíclico e demanda muito mais participação do consumidor.

A CinemaCon contou ainda com dois painéis: O próximo paradigma dos cinemas – Cultureplex e Exibição e Distribuição, colaboração mútua.

A Revista Exibidor também conheceu de perto duas experiências tecnológicas: os produtos Barco e a nova tela da RealD, empresa que especialmente nesta edição da CinemaCon comemora 10 anos. Veja também o que outras companhias já anunciaram: CE+S, Atom e Dolby Atmos.

O dia também foi repleto de premiações: CineWorld, IMAX, Frank Marshall, Universal e J.J. Abrams. Marshall chegou a comentar na convenção que o próximo longa da franquia Indiana Jones será uma continuação e não um remake - e ainda terá Harrison Ford no papel protagonista. [Atualizado em 16/04/2016, às 11h50]

Veja também:

- A programação completa do primeiro e do segundo dia da CinemaCon 2016

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