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03 Junho 2016 | Vanessa Vieira

Cinema infantil e realidade virtual, novos nichos de interesse para o mercado

Temáticas fizeram parte da programação da MAX, evento dedicado ao audiovisual

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Painel Adaptação Literária para as Telas e Games (Foto: Portal Exibidor)

Nesta quinta-feira (02), foi realizado o segundo dia da Minas Gerais Audiovisual Expo – MAX, que vai até o próximo domingo (05) em Belo Horizonte, Minas Gerais. O evento contou com mais 17 painéis e palestras.

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Literatura e cinema infantil

Uma das primeiras mesas-redondas do segundo dia do evento foi a “Adaptação Literária para as Telas e Games”, que contou com a participação de Guilherme Fiúza, diretor e produtor; João Batista Melo, escritor e diretor; e Ricardo dos Anjos, escritor e tradutor. O painel teve basicamente dois momentos: um sobre cinema infantil e sua relação com a literatura e o outro sobre a adaptação ou expansão de narrativas literárias em mídias como o cinema e, principalmente, o videogame. Este último foi apresentado por Ricardo dos Anjos.

Fiúza começou o encontro ao trazer o case do longa O Menino no Espelho, dirigido por ele e lançado em 2013 com cerca de 20 mil ingressos vendidos. O filme foi inspirado no livro homônimo de Fernando Sabino. Ele frisou durante sua apresentação sobre a necessidade de o cinema infantil perder seu “estigma” de menos relevante e que, ao se produzir um título para crianças, é preciso ter o cuidado de não fazer concessões demais para uma visão idealizada do mercado para não perder a identificação com seu público-alvo. Fiúza exibiu durante sua fala o trailer de O Menino no Espelho e também um vídeo de entrevistas com o elenco infantil do longa. O diretor também opinou que “animação é técnica, não gênero” e que nem toda animação tem que ser necessariamente para criança. Assim como nem todo filme para o público infantil tem de ser uma animação.

João Batista, por sua vez, apontou que, doa mais de 3 mil títulos produzidos no Brasil desde a década de 1900, apenas 70 filmes foram dedicados às crianças e, desses, cerca de 40 são da Xuxa ou do Didi. Na época de sua pesquisa, antes do lançamento de O Menino no Espelho e O Menino Maluquinho (1994), nenhum longa tinha base na literatura infantil brasileira, que é bem valorizada no mundo segundo o escritor. João já adaptou obras de Angela Lago e May Shuravel para curtas-metragens.

Conteúdo para pessoas, não para marcas

A palestra “Branded Content – Marcas no Audiovisual” foi apresentada por Patrícia Weiss, consultora de marketing de conteúdo e entretenimento, narrativas de marca e produtora executiva da Asas e presidente da Branded Content Marketing Association – BCMA South America (Associação de Marketing de conteúdo de marca, em tradução livre). A executiva contextualizou que hoje o consumidor está hiperconectado, mas ainda assim continuaria gostando de narrativas. Para ela, todos somos apaixonados por histórias e as novas mídias são, na verdade, novas maneiras de se contar narrativas.

Por isso, é preciso que as marcas humanizem seus consumidores porque, para realmente atingir seu público, não dá mais para apenas apostar em conteúdos tradicionais de produto. Patrícia também alertou para o erro de disfarçar marketing de produto de conteúdo só porque o distribui por meio das novas mídias digitais. “Quanto mais a tecnologia avança, mais a humanidade prevalece, mais precisamos de contato humano”, explicou. Assim, um bom marketing de conteúdo ou conteúdo de marca seria uma história que se conecta com seu público-alvo ou parte dele sem que a marca contamine demais o material. Uma das dicas da executiva foi evitar totalmente a generalização de público consumidor e sim falar diretamente com ele por meio de conteúdos que tenham uma conexão mais narrativa e humanizada. “Ninguém esquece o que uma marca fez ele sentir”.

Realidade Virtual como nova mídia

Já o seminário “10 Aprendizados sobre Realidade Virtual: Onde Estamos?” foi presidido por Rodrigo Terra, diretor da área de negócios da EraTransmídia e sócio da Fazenda Urbana, que explicou a diferença, por exemplo, entre a realidade virtual (do inglês Virtual Reality – VR) e os filmes 360º. A primeira envolveria mais interação do usuário e espectador em relação ao universo e conteúdo que está vivenciando, enquanto o segundo seria uma experiência na qual a interação do espectador se resume à livre escolha de para qual lado deseja olhar.

Para Rodrigo, a realidade virtual não se trata de um novo gênero de cinema ou de videogames, mas de uma nova mídia. O executivo ainda apresentou algumas das novidades mais recentes de VR como a câmera da Lytro Cinema e os recentes anúncios da Google. Entre os “10 Aprendizados” com a nova mídia, Rodrigo destacou pontos como a necessidade de pensar em novos patamares de imersão e experiências narrativas. Ele também apontou que os produtores que tiverem interesse em se posicionar no mercado inicial de VR devem começar a trabalhar isso agora, mas que só verão os primeiros resultados em pelo menos dois anos. Entre as empresas que estão investindo em realidade virtual, Rodrigo mencionou grandes estúdios como a Fox.

Confira a cobertura do primeiro e segundo dia da MAX.

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